sexta-feira, 27 de junho de 2008

Promotor Francisco Cembranelli

O promotor Francisco Cembranelli está acostumado a lidar com paradoxos. Filho do meio entre três irmãos, era quieto e tão tímido que sempre se sentava no fundo da sala de aula. Só encarava a lousa quando não conseguia ludibriar a professora, encolhendo-se atrás de um colega. De certa forma, ao se esconder, protegia-se da atenção que até hoje o seu olho esquerdo desperta.

Era domingo de carnaval de 1963. Com 2 anos, Cembranelli, que nasceu em São José do Rio Preto, correu atrás de um cão num terreno ao lado da casa da família, em Leme, interior paulista. No caminho, caiu num tanque com mistura de cal e água. Perdeu a visão por três meses e ficou com seqüelas.

E foi contra a timidez o primeiro embate de Cembranelli. Ao assumir seu posto no Ministério Público cobriu férias de um colega do Tribunal do Júri, onde são julgados os crimes contra a vida. Uma função que exige domínio de palco, habilidade para manter a atenção e para persuadir sete jurados. Estudou o processo e pediu ajuda a colegas. Decidiu pedir transferência se fracassasse.

A profissão é a mesma do pai, Sylvio Glauco Taddei, que costumava trabalhar madrugada adentro. Para dar continuidade aos estudos de Cembranelli, a família se mudou para São Paulo, onde ele freqüentou as Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Palmeirense, Taddei queria o filho como companheiro de paixão, mas a época de Pelé fez de Cembranelli um santista.

Ir ao estádio com o pai virou um hábito, independentemente de quem jogava. E foi numa partida entre Guarani e América que o futuro promotor encontrou pela primeira vez o juiz da cidade (Barretos), Caio Canguçu de Almeida, amigo de Taddei. Seus destinos cruzaram-se novamente semanas atrás. Hoje desembargador do TJ, coube a Canguçu julgar pedidos de habeas-corpus do caso Isabella. O primeiro liberou o casal da prisão temporária e o segundo os mantém na preventiva.

Ao caso de estréia, em que o júri condenou o réu por 5 votos a 2, seguiram-se outros 60 só no primeiro mês de trabalho. Um treino intensivo contra a timidez. Prestes a completar 20 anos de carreira e 900 júris depois, Cembranelli imposta voz diante dos jurados, usa braços e mãos. O caso Isabella é o de maior repercussão que já caiu em suas mãos, mas ele não é novato em processos polêmicos. Em 2004, atuou no júri de três policiais que executaram o dentista Flávio Sant’Ana, de 24 anos. Os réus pegaram penas de até 17 anos.

O amor enfrentou conflitos. O promotor apaixonou-se por uma defensora pública que conheceu no tribunal. No primeiro “combate”, Daniela Sollberger levou a melhor. No segundo, recebeu o troco. Não houve o terceiro. Apaixonada, pediu transferência. Três anos mais tarde, em 21 de setembro de 1996, Daniela virou Sollberger Cembranelli.

A vida desse promotor é tão marcada pelo paradoxo que até seus filhos, de 7 e 8 anos, percebem. “Por que o pai (no trabalho cotidiano) pede para prender e a mamãe pede para soltar?”, perguntam os meninos. Tarefa mais difícil do que explicar isso aos filhos talvez seja encerrar o caso Isabella.

2 comentários:

Unknown disse...

Dr. Promotor Francisco Cembranelli, ganhando ou perdendo o Sr.é a pessoa mais firme nas suas palavras sua certeza em relação aos fatos, eu vejo que o Sr.sabe o que esta falando. Merece esta vitória tanto para o Sr. como para a família de Isabella. Que Deus o abençõe,e essa família que com essa justiça sendo feita,possa viver um pouco em paz.

Unknown disse...

Ana Carolina Oliveira e família. Que a justiça seja feita, e que voces família possam viver em paz.Não vão, nunca esquecer esses monstros mas pelo menos saber que eles vão pagar por isso. Ana esqueça essa gente porque eles se merecem. Tanto os avós, se é que eles mereçam assim ser chamados, vão amargar pelo resto da vida deles saber, que tem um filho monstro. Essa Jatobá, não deve nunca esquecer que ela é mãe, por sinal uma péssima mãe mas enfim vai amargar isso, pelo resto da vida. Que seus filhos lhes devolvam tudo que eles fizeram para Isabella, com juros e correção monetária é a lei da vida. Aqui se faz aqui se paga. Fiquem com Deus, e muita Paz para voces.