E acompanhe a conta dos peritos para saber em quanto tempo a menina foi morta.
Peritos cronometraram tempo do que teria acontecido na versão dos acusados.
a conta dos peritos para saber em quanto tempo a menina Isabella foi morta. Os peritos do Instituto de Criminalística cronometraram o tempo do que teria acontecido na noite da morte da menina Isabella, na versão dos acusados.
Para chegar ao resultado da reconstituição, os peritos cruzaram informações do laudo necroscópico, de depoimentos de testemunhas e de um levantamento detalhado do local do crime. Foram dois meses de trabalho.
Uma das conclusões foi a cronometragem do tempo na versão do casal. Para isso, os peritos fizeram a seguinte conta: primeiro, marcaram no relógio o tempo que Alexandre Nardoni teria gasto para tirar Isabella no carro e deixá-la no apartamento – 6 minutos e 54 segundos.
Depois, fizeram a segunda parte, quando ele volta para a garagem e vai ao apartamento com a família – são mais 6 minutos e 4 segundos.
O tempo gasto no elevador foi somado separadamente – os peritos consideraram que o elevador já estivesse no subsolo quando a família chegou e no sexto andar nas duas vezes em que foi usado por Alexandre. Do subsolo ao sexto andar, 1 minuto e dois segundos, o mesmo tempo para descer e voltar ao apartamento, e 52 segundos do sexto ao térreo. Somando tudo, o casal gastaria 16 minutos e 56 segundos. Mas entre a chegada do casal e a queda da menina se passaram apenas 12 minutos e 26 segundos.
Os peritos também chegaram à conclusão que, se realmente houvesse uma terceira pessoa, ela teria apenas um minuto e 55 segundos para guardar os objetos usados para cortar a rede, limpar as manchas de sangue, lavar a fralda, trancar a porta e sair sem deixar qualquer vestígio.
Para chegar a essas conclusões foi fundamental a participação das testemunhas na reconstituição. Os peritos fotografaram cada uma, como estavam no dia do crime. Uma das fotos mostra a visão do porteiro quando a menina já estava no chão. Por telefone, ele informou ao vizinho do primeiro andar, que, em seguida, chamou o resgate.
Ainda com o telefone na mão, já na sacada, a testemunha vê Alexandre e pergunta o que houve. O pai de Isabella responde: “Arrombaram meu apartamento, rasgaram a tela de proteção e jogaram a minha filha... Tem ladrão no prédio”.
O laudo foi entregue sexta-feira (4) à Justiça e vai ser analisado pelo promotor do caso, Francisco Cembranelli.
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL637176-5605,00-NOVAS+FOTOS+DO+LAUDO+RECONSTITUEM+ULTIMOS+MOMENTOS+DE+ISABELLA.html
sábado, 5 de julho de 2008
Caso muito triste
Estava evitando escrever sobre este assunto. Uma, porque já tem gente demais escrevendo, outra, porque ainda não sabemos com certeza o que aconteceu. E eu me pego pensando o dia todo em seu rosto, e consigo até mesmo voltar aos meus cinco anos, e creia quem quiser, lembro de tudo, de minha curiosidade pelo mundo, de minha alegria em viver.
Mas não vou esquivar-me de falar sobre o que poderia ter acontecido. Posso estar cometendo o maior erro de minha vida. Posso estar sendo injusta com inocentes. Se estiver, voltarei aqui e farei uma retratação pública.
Então, este artigo deveria chama-se SE... Se tivesse ocorrido desta forma.
Embora psicanalista, sou humana. Humanos erram. Mas humanos admitem seus erros.
Ressalva feita, suponhamos que seja como o Dr. Cembranelli descreve, como a perícia explica.
Não sou advogada, vou ficar fora do mérito do que deve acontecer daqui para a frente. Vou pensar no que houve antes disso.
Uma Ana, com um N só, bobinha, engravida do namorado. Coisa mais comum no mundo. Não se casam, a família assume a filha com a neta. Fazem o certo.
O pai da menina não faz o certo. Ou fez? Quem não quis se casar? Não sei. Tratava bem a menina? Quem sabe agora?
Uma coisa é fato. Junta-se a outra Anna, essa com dois N. Que lhe dá dois meninos, e vivem juntos. Num dado momento se casam.
Corriqueiro até aqui.
O espanto começa para a sociedade quando a menina morre. E o véu de dúvidas começa a ser levantado.
Não sou julgadora de nada, nem formadora de opinião. Que fique claro, sou uma psicanalista, entendo apenas da psique humana.
Uma Anna pode ter ciúmes da outra Ana. Nem vamos nos perguntar porque. Vamos nos ater ao que tem sido dito. Geniosa, temperamento forte, dominadora. O marido fraco, dominado pelo pai, apaixonado pela Anna de dois N.
Se a Anna começou a matar, e o Alexandre terminou, um dia saberemos. Ou nunca.
Mas suponhamos que foi assim. E o espanto é enorme. Por que?
Queria poder analisar cada um deles. Uma Anna de dois N que poderia ter ciúmes da Ana de um N, e irrita-se com a presença da menina, ela faz com que a rival ( na cabeça dela) continue presente em sua vida, como uma sombra que impede sua felicidade.
Um Alexandre que aos 29 anos ainda depende do pai para resolver seus problemas.
Onde estão os erros?
É difícil não fazer juízo de valor, e assim mesmo ter que dizer alguma coisa. Mas ali nenhum dos dois estava certo. Viver às custas dos pais não é certo. Viver emocionalmente dependente dos pais não é certo.
Faltou educação, na acepção mais simples da palavra.
"Meu filho, você engravidou esta moça?" - Assuma sua responsabilidade e sua filha.
Não é tampando o Sol com a peneira que se vai a lugar algum.
Vejo a entrevista dos dois na Globo e concordo com a posição do psiquiatra que fez a análise posterior. As lágrimas não convencem. As expressões forçadas muito menos.
O mundo virou de cabeça para baixo. Neste último mês quantas tentativas de matar filhos surgiram? Hoje mesmo leio sobre uma delas. As crianças têm medo, o mundo tem medo.
Puxo a brasa para minha sardinha. Educar não é apenas mandar para a escola, é ensinar valores imutáveis, e ao menor sinal de que algo não vai bem é passar por uma terapia. Nem todo mundo pode ter o que acha que pode. Não pode ficar o "eu quero" prevalecendo sobre o certo.
Pais não podem fazer todas as vontades dos filhos, pois o senso de limite deve ser colocado cedo, ou então jamais o será.
Não é dando apartamento, carro, pagando o supermercado que se ajuda um filho. É dando a ele as condições de fazer isso por si mesmo. Ou ele jamais assumirá nada nesta vida.
Não é tolerando uma pessoa tão nervosa a ponto de quebrar vidraças com as mãos que se faz um casamento.
Por que os pais não viram que seus filhos tinham problemas? Por que eles mesmos não reconheceram isso depois? Essa segunda pergunta é até mais fácil de responder. Seriam apenas mal educados, ou seriam psicóticos?
Nada que uma psicanálise não definisse. Mas que deve ter sido algo que jamais passou pela cabeça deles.
E aí estava o circo armado para que a tragédia acontecesse: dois psicopatas, uma criança indefesa.
Uma briga banal, e o inevitável. Isabella está morta. Nada poderá trazê-la de volta.
Questiona-se se a Ana de 1 N tem culpa. Discute-se se a Anna de 2 N é assassina, se o Alexandre é assassino. Isto a justiça dirá. Ou não, em um país corrupto até a raiz.
Mexeu com todos nós. Trouxe-nos de volta a inocência dos nossos cinco anos.
As vidas de todos jamais serão as mesmas. Mais um caso muito, muito triste.
E meus pacientes, meus amigos da comunidade do Orkut me perguntam: Por que sentimos esta ambivalência, esta "dó" do casal preso?
Por falta de certeza. Apenas por isso. Não espero confissão. Ainda que sejam os culpados, porque quem é capaz de tal crime não tem um ego normal. Não são neuróticos como nós. São psicóticos, e psicóticos não têm a dimensão do certo e do errado.
Merecem dó sim. Sejam ou não os culpados, e tudo indica que sejam, e seja, psicopatas ou psicóticos, têm um ego deformado, e já foram julgados pela sociedade. Não interessa que recebam Habeas Corpus. Não importa que num posterior julgamento sejam declarados inocentes. Isabella não voltará mais, deixando a Ana de 1 N sentindo o vácuo da maternidade castrada depois de menos de 6 anos. A sociedade nunca mais esquecerá. Dizem que o povo tem memória curta. Não acho. Na hora que outro crime acontecer, Isabella será citada.
Tenho dó também. Tenho dó de qualquer ser que não teve a oportunidade de corrigir sua psique enquanto era tempo.
Nenhum tempo de cadeia limpará está desgraça. E é uma pena. Mas que sirva para que nós façamos uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nossos filhos, nossos netos.
E a cada momentos nos perguntemos se nosso id, nosso ego e nosso superego estão dimensionados de modo certo. Lágrimas não os acertarão, nem cadeias. Ficou tarde demais para todos.
Colaboração: Marcia Lee Smith
Mas não vou esquivar-me de falar sobre o que poderia ter acontecido. Posso estar cometendo o maior erro de minha vida. Posso estar sendo injusta com inocentes. Se estiver, voltarei aqui e farei uma retratação pública.
Então, este artigo deveria chama-se SE... Se tivesse ocorrido desta forma.
Embora psicanalista, sou humana. Humanos erram. Mas humanos admitem seus erros.
Ressalva feita, suponhamos que seja como o Dr. Cembranelli descreve, como a perícia explica.
Não sou advogada, vou ficar fora do mérito do que deve acontecer daqui para a frente. Vou pensar no que houve antes disso.
Uma Ana, com um N só, bobinha, engravida do namorado. Coisa mais comum no mundo. Não se casam, a família assume a filha com a neta. Fazem o certo.
O pai da menina não faz o certo. Ou fez? Quem não quis se casar? Não sei. Tratava bem a menina? Quem sabe agora?
Uma coisa é fato. Junta-se a outra Anna, essa com dois N. Que lhe dá dois meninos, e vivem juntos. Num dado momento se casam.
Corriqueiro até aqui.
O espanto começa para a sociedade quando a menina morre. E o véu de dúvidas começa a ser levantado.
Não sou julgadora de nada, nem formadora de opinião. Que fique claro, sou uma psicanalista, entendo apenas da psique humana.
Uma Anna pode ter ciúmes da outra Ana. Nem vamos nos perguntar porque. Vamos nos ater ao que tem sido dito. Geniosa, temperamento forte, dominadora. O marido fraco, dominado pelo pai, apaixonado pela Anna de dois N.
Se a Anna começou a matar, e o Alexandre terminou, um dia saberemos. Ou nunca.
Mas suponhamos que foi assim. E o espanto é enorme. Por que?
Queria poder analisar cada um deles. Uma Anna de dois N que poderia ter ciúmes da Ana de um N, e irrita-se com a presença da menina, ela faz com que a rival ( na cabeça dela) continue presente em sua vida, como uma sombra que impede sua felicidade.
Um Alexandre que aos 29 anos ainda depende do pai para resolver seus problemas.
Onde estão os erros?
É difícil não fazer juízo de valor, e assim mesmo ter que dizer alguma coisa. Mas ali nenhum dos dois estava certo. Viver às custas dos pais não é certo. Viver emocionalmente dependente dos pais não é certo.
Faltou educação, na acepção mais simples da palavra.
"Meu filho, você engravidou esta moça?" - Assuma sua responsabilidade e sua filha.
Não é tampando o Sol com a peneira que se vai a lugar algum.
Vejo a entrevista dos dois na Globo e concordo com a posição do psiquiatra que fez a análise posterior. As lágrimas não convencem. As expressões forçadas muito menos.
O mundo virou de cabeça para baixo. Neste último mês quantas tentativas de matar filhos surgiram? Hoje mesmo leio sobre uma delas. As crianças têm medo, o mundo tem medo.
Puxo a brasa para minha sardinha. Educar não é apenas mandar para a escola, é ensinar valores imutáveis, e ao menor sinal de que algo não vai bem é passar por uma terapia. Nem todo mundo pode ter o que acha que pode. Não pode ficar o "eu quero" prevalecendo sobre o certo.
Pais não podem fazer todas as vontades dos filhos, pois o senso de limite deve ser colocado cedo, ou então jamais o será.
Não é dando apartamento, carro, pagando o supermercado que se ajuda um filho. É dando a ele as condições de fazer isso por si mesmo. Ou ele jamais assumirá nada nesta vida.
Não é tolerando uma pessoa tão nervosa a ponto de quebrar vidraças com as mãos que se faz um casamento.
Por que os pais não viram que seus filhos tinham problemas? Por que eles mesmos não reconheceram isso depois? Essa segunda pergunta é até mais fácil de responder. Seriam apenas mal educados, ou seriam psicóticos?
Nada que uma psicanálise não definisse. Mas que deve ter sido algo que jamais passou pela cabeça deles.
E aí estava o circo armado para que a tragédia acontecesse: dois psicopatas, uma criança indefesa.
Uma briga banal, e o inevitável. Isabella está morta. Nada poderá trazê-la de volta.
Questiona-se se a Ana de 1 N tem culpa. Discute-se se a Anna de 2 N é assassina, se o Alexandre é assassino. Isto a justiça dirá. Ou não, em um país corrupto até a raiz.
Mexeu com todos nós. Trouxe-nos de volta a inocência dos nossos cinco anos.
As vidas de todos jamais serão as mesmas. Mais um caso muito, muito triste.
E meus pacientes, meus amigos da comunidade do Orkut me perguntam: Por que sentimos esta ambivalência, esta "dó" do casal preso?
Por falta de certeza. Apenas por isso. Não espero confissão. Ainda que sejam os culpados, porque quem é capaz de tal crime não tem um ego normal. Não são neuróticos como nós. São psicóticos, e psicóticos não têm a dimensão do certo e do errado.
Merecem dó sim. Sejam ou não os culpados, e tudo indica que sejam, e seja, psicopatas ou psicóticos, têm um ego deformado, e já foram julgados pela sociedade. Não interessa que recebam Habeas Corpus. Não importa que num posterior julgamento sejam declarados inocentes. Isabella não voltará mais, deixando a Ana de 1 N sentindo o vácuo da maternidade castrada depois de menos de 6 anos. A sociedade nunca mais esquecerá. Dizem que o povo tem memória curta. Não acho. Na hora que outro crime acontecer, Isabella será citada.
Tenho dó também. Tenho dó de qualquer ser que não teve a oportunidade de corrigir sua psique enquanto era tempo.
Nenhum tempo de cadeia limpará está desgraça. E é uma pena. Mas que sirva para que nós façamos uma profunda reflexão sobre nós mesmos, nossos filhos, nossos netos.
E a cada momentos nos perguntemos se nosso id, nosso ego e nosso superego estão dimensionados de modo certo. Lágrimas não os acertarão, nem cadeias. Ficou tarde demais para todos.
Colaboração: Marcia Lee Smith
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