sexta-feira, 27 de junho de 2008

O DIA QUE O POETA CHOROU

O DIA QUE O POETA CHOROU

A PEQUENA ESQUECIDA

O que mais ouço e vejo são advogados
correndo para cá e para lá,
palavras de legista dando opinião
sobre questões que desconhece completamente,
gente falando, falando, falando, falando, falando,
falando, falando, falando, falando, falando, falando,
gente falando,
dando entrevista, entrevista, entrevista,
muita movimentação, muita movimentação, muita movimentação,
conversa, conversa, conversa.

Agora um legista que certamente
questionará as investigações da Polícia de São Paulo.
Um legista que nem sabe o que ocrreu.
A ordem é aparecer.
E mais conversa, conversa, conversa.
Só vejo isso.
Só vejo homens se movimentando,
entrando com recursos,
essas coisas, essas coisas.

Da pequena Isabela assassinada brutalmente,
assassinada brutalmente, assassinada brutalmente,
asssinada com crueldade,
jogada do sexto andar de um prédio depois de ter sido espancada,
da pequena Isabela não se fala mais.

A pequena Isabela é apenas um detalhe.
O que vale é cenário atual.
A movimentação.
A conversa, conversa, conversa.
O que vale é isso.

A pequena Isabela certamente nem existiu.
A pequena Isabela não existe mais.

21/Maio/2008 por Poeta Álvaro Alves de Faria

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