segunda-feira, 28 de julho de 2008

SOCIEDADE EM DESESPERO

Tenho acompanhado de perto, o caso Isabella, em foruns, consultando os TSJ, TSF, participando do forum Terra, lendo comunidades no Orkut, e vejo algo que não sei se vocês estão notando.

É a quantidade de pessoas totalmente sem educação, falando horrores, denegrindo até o corpo em decomposição da criança, como se falassem do resultado de um jogo, ou do último filme assistido.

Isto é muito grave. Muito mais do que possa parecer. Mostra a decadência moral de um povo, ou de uma civilização.

Se uma laranja está podre em um cesto, jogue-a fora, ou todas apodrecerão.

Se pessoas não tem comportamento social adequado, escondendo-se atrás de um capuz de tela, um nome fantasia, e dizem coisas que jamais deveriam ser ditas, e estas pessoas encontram eco em alguns seguidores, algo está podre no reino da Dinamarca.

Pode parecer que pretendo ser aqui a certinha, a que não fala nenhuma bobagem, jamais diz um palavrão, mas não é por aí.

Sei sim, xingar mais do que vocês ousem imaginar, mas a quem de direito e no momento adequado.

Não é pela contestação pura e simples que esta juventude atual chegará a lugar algum.

Há jovens maravilhosos, pessoas a quem abriria minhas portas sem medo, mas isso não é o comum. Infelizmente estamos diante de um choque estranho: eles tem acesso à Internet, e ao mesmo tempo não têm conteúdo nem essência.

O respeito à família e às instituições parece ter terminado, e principalmente o auto respeito.

Ora, quem não se respeita, vai respeitar os demais?

Os que se atribuem nomes fictícios imorais, devem julgar-se merecedores deles.

E meu medo é: amanhã este pessoal poderá estar precisando ajuda. Mas quem os ajudará?

Estamos de fato passando por uma crise incomensurável de valores, de auto estima subterrânea, de insegurança, de medo, e este medo e esta insegurança se refletem na agressividade que passam aos demais.

Querem ser sempre os do contra. Se o certo é um caminho, tomam o outro. Sei que em Psicanálise os conceitos de certo e errado diferem de ser para ser, mas há coisas básicas, respeito à família, à dor do outro, são conceitos fundamentais, e quem não sabe e não consegue seguí-los não conseguirá elaborar os seus próprios.

Então, vejo com pesar uma sociedade em desespero. Vejo seres vazios, que só se comprazem com a gracinha do momento, desprovidos de valores do ego.

Que tipo de ego tem estas pessoas? De que é feito o estofo de suas psiques?

Enfim, o que tem eles de bom?

Nada vezes nada.

E aí eu culpo a Internet sim. Por ser uma ferramenta perigosa acessível a qualquer um.

E não só no caso Nardoni, motivo de meu asco original, mas nas fofocas sem sentido que flutuam na rede, sem proibição, sem punição, sem controle.

Deram armas a pessoas que não sabiam usá-las. E perderam o controle.

Será tarde para reeducar esta imensa massa humana, se é que posso chamá-los humados, portadores de psicopatologias, doentes sociais?

Psicanálise tem vínculos profundos com a Educação.

E estamos no limiar de uma época de imensa loucura cibernética. Gente com medo de “fakes” que ainda por cima postam anônimos no Orkut. Faz sentido tal coisa?

Deveria ser obrigado, para usar a internet algo como um cadastro de nome, identidade, estado civil, cpf, escolaridade e ninguém, absolutamente ninguém poderia escrever uma linha que fosse sem assinar seu verdadeiro nome e se identificar, ou estamos estaremos instituindo a cultura do anonimato, dos trotes telefônicos da década de 50, das famigeradas cartas anônimas.

Causas? Mil. Soluções, ninguém as traz. E enquanto isso institui-se a sociedade em desespero, a cultura do medo.

Pessoas mudam de nome ao sabor do vento. Gente tem medo de pessoas que não existem, pois para mim quem não assume quem é, nada é.

É tempo de mudar. Tempo de se assumir, tempo de dar valor ao que tem valor. Tempo de ter valores. E principalmente tempo de aprender o respeito.
Egos foram mal formados nas últimas décadas. Os pais tiveram pouco a ver com isso, a influência externa foi muito maior. Onde ficam as referências de pai e mãe tão necessárias ao desenvolvimento do ego infantil?

Não ficam....

E a geração que aí está, com raras e honrosas exceções é a geração do deboche, do ego deformado, e depois se queixam, quando se lhes acomete o pânico, as psicossomáticas, todos os tipos de fobias.

Vamos parar de dar celulares a crianças.

Vamos deixar nossas crianças brincarem mais e acessarem menos a rede.

Vamos fazer com que consigam passar por suas fases de formação sem influência tão grande dos meios de comunicação.

Vamos deixar que sejam crianças.

Ou não vejo futuro muito bom para esta humanidade. Posso estar sendo pessimista. Espero honestamente que sim.

Colaboração: Marcia Lee Smith

Um comentário:

Clara disse...

Gostei muito do texto Marcia.
É a triste realidade. De coração espero realmente que as pessoas possas "enxergar" melhor e pelo menos fazer sua parte para que possamos ter um mundo melhor, mais digno e humano.
Beijos.
Clara.